A Miley almoçou comigo e foi embora logo depois, eu vou ter que renovar o meu estoque de comida, a Miley come mais que um boi
Eu me deitei no sofá e continuei estudando
-Não seria uma hora ruim pra sua voz invadir a minha cabeça- Eu murmurei
"Assim?"
-Exatamente assim- Eu respondi
"Na verdade eu to á horas no seu telhado tocando violão" é do telhado que vinham os barulhos de acordes?
Eu fui até o meu quarto e a encontrei tocando violão, as suas asas estavam ali, é estranho ver um anjo tocando violão? Acho que não
A jaqueta dela tinha furos nas costas exatamente para as asas, era incrível como as asas nunca faziam outro furo, era sempre o mesmo furo
-Você toca é?- Eu perguntei me sentando ao seu lado
-Desde que eu vivo na terra- Ela respondeu
-Voar é bom?- Eu perguntei
-É muito melhor que bom, o vento no seu rosto, a imensidão na sua frente, é assim que você se sente livre, voando- Ela respondeu
-Eu queria pode voar- Eu murmurei
-Não pode, mas pode ficar invisível comigo e eu posso te fazer voar- Ela respondeu
-VOCÊ FARIA ISSO POR MIM?- Eu gritei
-Faria- Ela respondeu
-DOEU QUANDO VOCÊ CAIU DO CÉU?- Eu perguntei animada
-Um pouco, na verdade doeu bastante, não recomendo- Ela respondeu e eu dei um tapinha no seu braço
-Vamos?- Ela perguntou e eu assenti
-Mas e o seu violão?- Eu perguntei
-Que violão?- Ela perguntou e o violão começou a sumir até desaparecer totalmente
Eu subi nas suas costas e descobri que as suas asas são macias e gostosas de enterrar as mãos
-Alguém gostou das minhas asas- Ela murmurou
-Tá brincando? Isso é a coisa mais macia que eu já toquei- Eu respondi arranhando as suas asas de leve e soltando
-Eu to me sentindo um cachorro sendo acariciado- Ela comentou e eu comecei á rir
-Se segura- Ela avisou e levantou voo
O primeiro solavanco me assustou, mas depois começou á ficar divertido, ela tinha razão, aquela sensação de liberdade era única, o vento no seu rosto, a sensação de que nada pode te incomodar ali...
Ela voou até uma montanha e pousou no topo dela,eu desci das suas costas e me sentei ao seu lado, as suas asas sumiram e os seus olhos ficaram castanhos novamente
-Não gosta de ficar em forma de anjo?- Eu perguntei e ela negou com a cabeça
Ela se deitou no orvalho e deu um longo suspiro, eu me deitei ao seu lado e sorri quando os nossos olhares se encontraram
As suas mãos estavam repousando ao lado do corpo, as minhas também, eu peguei uma das suas mãos e nós ficamos apenas nos olhando, como duas idiotas
Eu fiz um movimento rápido e subi em cima dela com uma perna de cada lado do seu corpo
-Alguma hora os Anjos das Trevas vão parar de me perseguir?- Eu perguntei
-Só se você der o que eles querem, tem um jeito de dar sem morrer, mas é arriscado- Ela respondeu
-VOCÊ TEM QUE ME EXPLICAR- Eu gritei
-É arriscado e complicado Demi, eu não posso- Ela disse quase em um sussurro
-COMEÇOU AGORA TERMINA- Eu retruquei
-Eu não comecei nada- Ela respondeu
-COMEÇOU SIM, POR FAVOR- Eu disse e dei um beijinho no seu pescoço
-Demi, eu não posso- Ela respondeu
-COMO NÃO PODE?- Eu perguntei
-É arriscado, eu já disse- Ela estava começando á ceder, eu senti isso
-Vai ser mais arriscado ainda eu passar a vida toda sendo atacada por Anjos das Trevas- Eu retruquei
-Bom argumento- Ela murmurou
-Você vai me explicar?- Eu perguntei e ela hesitou, mas respondeu:
-Vou, vem cá- Ela disse e nós nos levantamos
-Bom...- Antes de ela começar as asas saíram
-Ahn, é que quando eu fico com raiva as asas saem sozinhas- Ela murmurou
-Por que você tá com raiva?- Eu perguntei
-Eu lembrei dos Anjos das Trevas, isso acontece- Ela disse
-Ok, enfim, me explica isso direito- Eu disse enquanto nós caminhávamos
-Tem um lugar na terra que só os Escolhidos e os seus anjos enxergam, lá tem várias garrafas com a Essência Espartana, mas os Anjos das Trevas não conseguem entrar lá, tem forças que os impedem, só os escolhidos, Zeus e os Anjos do Céu conseguem, só os Anjos que cuidam dos Escolhidos sabem onde é, é um caminho muito perigoso, por isso temos que pedir permissão de Zeus antes de ir- Ela explicou
-NÓS TEMOS QUE IR PRA LÁ- Eu gritei
-Que parte de "arriscado" você não entendeu?- Ela perguntou incrédula
-A parte de que eu posso morrer á qualquer momento se eu continuar aqui- Eu respondi, aquilo me preocupava
-Não se mexe- Ela sussurrou e começou á olhar ao redor
-Merda- Ela murmurou e pegou o seu punhal
De repente um homem com asas negras saiu de trás de uma árvore, ele teria me pegado se a (s/n) não tivesse dado um chute tão forte nele que ele rolou montanha abaixo
Ela voou até a parte de baixo e eu pude vê-la derrubar o cara no chão e enfiar com força o punhal no seu peito, ele se desfez em fumaça negra e densa e sumiu
Ela guardou o punhal e voou de volta pra onde eu estava em choque
-Você acabou de...- Eu não consegui terminar a frase, eu só a abracei com força
Ela me abraçou de volta e começou á acariciar os meus cabelos. aquele cafuné estava me acalmando cada vez mais
-Você acabou de...- Eu não completei a frase novamente e comecei á chorar, mas chorar MESMO, eu soluçava e as lágrimas desciam rapidamente pelo meu rosto
-Calma- Ela sussurrou e me deu um beijo na nuca
Dessa vez eu vi que o cara não ia hesitar em me matar só pra pegar essa tal Essência Espartana, eu estava chorando de medo, de angústia
-Eu não quero viver assim- Eu murmurei nos seus braços
-Ninguém quer- Ela respondeu
-Por favor, fala com Zeus,eu não quero MESMO viver assim- Eu pedi entre soluços
Ela suspirou e assentiu com a cabeça me largando em seguida
Ela fechou os olhos e minutos depois um trovão mais forte que eu já ouvi ecoou pelos meus ouvidos e o tempo fechou me fazendo dar um gritinho de medo e me encolher nos seus braços, ela me abraçou e uma voz cavernosa saiu do céu:
-O QUE FOI?- A (s/n) bufou, ela não parecia gostar muito de Zeus
-A Escolhida está pedindo permissão pra ir no Caminho das Trevas- Ela respondeu olhando pro céu
A voz parou por alguns minutos e respondeu:
-É muito perigoso- Ela bufou e disse:
-Perigoso é ela ser atacada á cada cinco minutos- A voz voltou:
-Dessa vez eu vou deixar, Demetria, você tem sorte de ter o anjo mais forte do Céu cuidando de você- Ele disse e o tempo abriu, uma estrada brotou, literalmente no chão e a (s/n) parecia já saber o que fazer
-Vamos?- Ela perguntou
-Sem avisar ninguém?- Eu perguntei
-Quem cuida disso é Zeus- Ela respondeu
-Então vamos- Eu disse e segurei a sua mão entrelaçando os nossos dedos, é agora ou nunca
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